Minha escola estava tão bonita...
Era tudo o que eu queria ver, em retalhos de cetim, eu dormi o ano inteiro e ela jurou desfilar pra mim...
Mas chegou o carnaval, e ela não desfilou.
Eu chorei na avenida, eu chorei...😢

O Bloco da Barbárie

Marcelo Rubens Paiva só queria brincar o Carnaval. No meio do Baixo Augusta, entre confetes e serpentinas, ele encontrou o que muita gente tem encontrado ultimamente: a intolerância. Um soco, um golpe baixo, daqueles que não vêm só da mão que bate, mas de algo muito mais profundo, que anda à solta por aí.

O Carnaval de rua sempre foi um espaço de liberdade, de excessos permitidos, de corpos suados se esbarrando sem a necessidade de desculpas. Mas nos últimos tempos, parece que algumas pessoas desaprenderam a sambar com a diversidade. Perderam o gingado da convivência, o respeito pelo outro.

A ironia maior é que, enquanto a violência desfila impune, o filme Ainda Estou Aqui, que conta a história do desaparecimento de Rubens Paiva durante a ditadura, segue sendo premiado e aclamado pelo mundo. A dor de um filho que nunca teve respostas sobre o pai desaparecido volta ao centro do debate justo agora, quando os fantasmas do autoritarismo, da brutalidade e do ódio insistem em reaparecer, fantasiados de novas velhas faces.

O que nos resta aqui? Se nem um escritor respeitado, um homem que fez da palavra seu ofício, está a salvo, o que dizer de quem apenas quer dançar? O Carnaval, que sempre foi um refúgio para os diferentes, corre o risco de ser sequestrado pelos mesmos. Mas ainda há esperança. Enquanto houver tambor, enquanto houver quem não se cale, quem não aceite a barbárie como marchinha de cada ano, a festa resiste.
E que resista!